Hoje foi dia excepcional, depois da sensação de frieza que tive dois dias atrás quando um rapaz foi baleado no Horto de Maruípe. Me senti meio triste por alguns caminhos que a vida toma e algumas situações surgem e você sabe o porquê delas surgirem, mas não ter de necessariamente aceitar o motivo. O grande lance na Vida de fato seria este, de não se acomodar com as situações, de sair do quadrado, tentar algo novo sobre o trivial que você faz repetidamente todo o dia. Ouso dizer que é transformar o momento em um, único em si.
A manhã cinzenta e chuvosa anunciou o dia pesado que não foi difícil de resolver, mas dolorido de chegar à algumas conclusões e saber reciclar e reformar atitudes para recuperar coisas que construímos com o Tempo mas que com o passar dos dias vai sendo devorado como um búfalo abatido por tigres famintos; vorazes e selvagens dentadas pelo couro do animal.
Excepcional porquê também hoje não teve aula na Academia Popular, e nesse frio de quase inverno, outonal noite, me rendo aos meus folgachos literários dando vazão ao Eu que raramente sai aos olhos e telas das pessoas, um Eu que ainda se cria e forma enfim como um velho ator que monta a sua banda de rock, de um indiano centenário que corre a sua maratona ou de nos telejornais de hoje de um senhor japonês de 80 anos que sobe o Everest. Já comecei algumas subidas, e torço pelo privilégio das águias.

