Propósito de Vazio
A própria folha de caderno em branco se tornara uma alva
nuvem de idéias no tempo que passou da leitura daquele livro; a lembrança
jurássica da expressão “a folha em branco na máquina datilográfica” não era
mais um privilégio dos escritores, famosos ou não, mas de cada um que portasse
o aparelho dos nossos tempos, e cada vez mais tantos e todos os tendo em mãos.
Sendo assim, se achou no cúmulo de dar qualquer continuidade
de idéias ou escritos que realmente chamassem a atenção do público ou de quem
desejasse que lesse aquilo, por carência, por autopromoção ou satisfação
interior; mais do que curtidas e centavos no seu Adsense, pensou como se fosse
um grande escritor a morrer pobre e ser descoberto décadas depois como precursor
de uma nova linha literária ou objeto de estudo de um acadêmico, no futuro.
A distância de fora para quem o que era por dentro diminuía
sensivelmente e muito bem pensara que nada haveria a ser lançado a não ser por
uma certeza, de que vários como ele também não saberiam e buscariam respostas,
ou meios e propostas de serem vistos, lembrados e queridos virtualmente em um
mundo que presença de pessoas reais é descartada (ou disfarçadas) com os olhos
fixos na tela de um smartphone.
Nenhum comentário:
Postar um comentário