segunda-feira, 2 de março de 2015

Propósito de Vazio

A própria folha de caderno em branco se tornara uma alva nuvem de idéias no tempo que passou da leitura daquele livro; a lembrança jurássica da expressão “a folha em branco na máquina datilográfica” não era mais um privilégio dos escritores, famosos ou não, mas de cada um que portasse o aparelho dos nossos tempos, e cada vez mais tantos e todos os tendo em mãos.

Sendo assim, se achou no cúmulo de dar qualquer continuidade de idéias ou escritos que realmente chamassem a atenção do público ou de quem desejasse que lesse aquilo, por carência, por autopromoção ou satisfação interior; mais do que curtidas e centavos no seu Adsense, pensou como se fosse um grande escritor a morrer pobre e ser descoberto décadas depois como precursor de uma nova linha literária ou objeto de estudo de um acadêmico, no futuro.


A distância de fora para quem o que era por dentro diminuía sensivelmente e muito bem pensara que nada haveria a ser lançado a não ser por uma certeza, de que vários como ele também não saberiam e buscariam respostas, ou meios e propostas de serem vistos, lembrados e queridos virtualmente em um mundo que presença de pessoas reais é descartada (ou disfarçadas) com os olhos fixos na tela de um smartphone.

Nenhum comentário: